Estou muito feliz em contar para vocês que essa semana eu cheguei em um grande marco em rumo da minha jornada: 35% do valor necessário para atingir a tão sonhada independência financeira.
Muitos de vocês não sabem, mas cheguei nos Estados Unidos com quase 25 anos (faltava uma semana para eu completar meus 25). Eu tinha duas malas cheias, $400 que meu pai me deu e devia um mês de salário porque não tinha dinheiro para bancar o intercâmbio e a minha host-family bancou para mim.
Quando iniciei minha jornada, eu trabalhava 45 horas semanais cuidando de duas crianças e ganhava $196.00 por semana.
Dados os detalhes iniciais por cima (vou ficar feliz em escrever um blog inteiro só sobre isso), eu quero contar para vocês três coisas que eu não fiz para conseguir focar na minha independência financeira:
- Não financiei a faculdade - Conheço pessoas que dizem que não é necessário ter faculdade para "vencer na vida". E tudo bem ter essa opinião, porém sei que no meu caso eu precisei. E precisei muito. Primeiro porque era um grande sonho meu e segundo, porque eu queria aprender a lidar com um inglês mais acadêmico/corporativista. Portanto, transferi meus créditos do Brasil para cá e finalizei meus estudos. Dois pontos bem importantes: corri atrás de tudo que eu tinha estudado no Brasil e trouxe para cá como forma de não precisar refazer as matérias que são eletivas pelos alunos. Isso me ajudou a economizar dois anos de tempo e dinheiro. Segundo ponto é que eu decidi trabalhar e pagar a faculdade. Ou seja, meu tempo de lazer nessa época estava escasso, mas eu sabia que seria para um bem maior, e assim foi. Poder iniciar minha jornada FIRE sem dívida facilitou muito.
- Nunca comprei ou aceitei um carro - Amigos, quando eu pegava busão todos os dias para ir à escola/trabalho, eu sempre me dizia que teria um super carrão quando pudesse. Esse dia chegou há anos e pasmem, eu nunca comprei um. Bom, meu marido tem um carro que comprou há 10 anos e eu uso o carro dele (ele diz que é meu também, mas euzinha nunca paguei por ele😬). Meu sogro querido já me ofereceu dois carros de graça. Um era uma SUV e o outro era um sedã, como o que temos aqui em casa. Eu recusei ambos porque chequei custos de seguro, gasolina, reparos futuros, e para mim não fez sentido. Trabalhamos de casa e conseguimos facilmente dividir um carro e vamos rodá-lo até quando ele ainda estiver seguro e não estiver tendo gastos constantes com mecânicos. Acredito que ainda temos mais uns 5-8 anos com ele.
- Não me endividei com cartões de crédito - Vou jogar uma informação que talvez seja desconhecida para vocês: 50% da população americana está endividada com cartão de crédito. METADE da população, meus amigos. E eu não sou parte dessa metade e nunca fui. A princípio tinha um crédito baixo (ainda bem), mas hoje eu poderia comprar um carro BOM com meu cartão de crédito. Ou seja, meu crédito é gigante e eu nunca me aproveitei dele para realizar sonhos ou vontades. Sempre juntei o dinheiro que precisava para as minhas viagens, meus móveis ou minhas tão preciosas canetas.
Tudo que evitei, acredito que pode ser evitado por muitos. Eu fiz isso na minha segunda língua, sem meus amigos e família por perto. De verdade, acredito que vocês também podem fazer.
Posso dizer mil coisas que fiz, mas sinto que as que evitei foram tão cruciais quanto todos os aportes e economias que decidi fazer durante essa última década.
Mas antes de terminar, preciso dizer uma coisa...
A Débora que chegou aqui com $400 e devendo $860 jamais imaginaria que em uma década estaria em uma jornada em rumo à independência financeira. Também não imaginaria que se tornaria investidora e tampouco planejadora financeira.
A vida é incrível de ser vivida, meus queridos. E que bom poder lembrar disso.
Por hoje é isso. Espero que tenham gostado e deixem aqui no comentário qual seria o ponto mais difícil de ser evitado por vocês.
Um abraço,
- Débora
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